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September 02, 2018

De sorriso contagiante e nervosa confiança de quem trabalha diariamente para chegar sempre mais longe, começa um novo ano com a incerteza do futuro e com a certeza do empenho. Aos 25 anos feitos agora, Francisco Guimarães Vieira já se tornou num dos símbolos de representação do rugby portuense e nacional. Com várias internacionalizações pelas Selecções Nacionais Sénior e na vertente de Sevens, mantém a mesma atitude com que jogava nos infantis do CDUP e tinha que fazer frente a adversários com o dobro do seu tamanho e metade da sua vontade. Se Fernando Pessoa nos disse que somos do tamanho dos nossos sonhos, decidimos entrar um pouco no mundo do Mini e perceber verdadeiramente qual a fita métrica que devemos utilizar.

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Queria primeiro perguntar-te há quanto tempo jogas rugby? Mini: 14/15 anos

Picture2.png Nos primeiros tempos as jogar pelo CDUP

Então com 10 anos, como é que o rugby entra na tua vida? Mini: Entra na minha vida através do Carlos Sottomayor e do Bernardo Seara Cardoso que nessa altura faziam parte da minha turma. Aos dez anos tive de sair do ténis, desporto que praticava há 3, e ao saberem que era um "jogador livre", e como verdadeiros homens do rugby que são, não perderam tempo em recrutar-me. Ao fim de 2 treinos no CDUP, estava convencido.

Praticaste mais algum desporto para além do ténis e do rugby? Mini: Sim! Para além dos 3 anos no ténis, como muitos miúdos em Portugal tive algumas passagens pelo futebol.

Porque é que achas que foi o rugby que te cativou? Mini: Acima de tudo, numa fase inicial era mais uma oportunidade de estar com os meus amigos por mais umas horas, ou até mesmo de reencontrar amigos como o Rodrigo Figueiredo que já conhecia do Ténis! Mas o que me foi mantendo no rugby foi talvez o facto de poder aglomerar todo um leque de habilidades de várias modalidades! E sendo eu um apaixonado por Desporto, acho que essa característica do rugby foi a que me chamou mais a atenção! Ao mesmo tempo, nada bate uma boa placagem, ou um sidestep bem feito ou mesmo a felicidade que é marcar um ensaio.

Que diferenças encontraste entre a maneira de viver o rugby entre Portugal, Itália ou Inglaterra? Mini: Bastantes! Especialmente pela maneira como o rugby é visto por quem não está directamente ligado a uma equipa. Há um maior respeito e sobretudo maior conhecimento por parte da população em geral. Em Itália já senti algumas diferenças, nomeadamente nos jogadores e na seriedade com que encaram a modalidade, mas foi sobretudo em Inglaterra que percebi talvez a dimensão gigantesca do rugby. Foi sem dúvida uma excelente experiência poder vivenciar todo o profissionalismo e até mesmo o fanatismo que existe à volta do rugby e do desporto em geral!

Picture3.png A jogar pelo Rotherham Titans RUFC (Inglaterra)

Quanto disso consideras que seja explicado pelo profissionalismo? De todas essas diferenças, por onde achas que deve o Rugby português começar? Mini: Talvez o profissionalismo seja capaz de atrair outro tipo de talento, que por sua vez pode atrair mais público e com isso mais mediatismo! Mas creio que a verdadeira razão será o sucesso a nível sénior e toda a espetacularidade à volta dos jogos. Tendo a oportunidade de já ter assistido a jogos das seis nações ao vivo, a "Gameday Experience" é de facto algo que atrai e cativa muita gente! Os jogos são tratados como verdadeiros espectáculos, que conseguem mesmo relegar o futebol para 2º plano. Lembro-me de, em criança, ir ver jogos de futebol e sentir toda a atmosfera envolvente, sentir que adoraria um dia fazer parte de todo aquele espectáculo, um dia poder ir para dentro de campo. Talvez a "Gameday Experience" faça o mesmo para muitos outros miúdos, dando muita expressão ao rugby. Quanto a Portugal, é preciso em primeiro lugar unir o rugby. Já somos poucos, e ainda parecemos menos com tantas divergências. Está na altura de criar um projecto ambicioso e ao mesmo tempo realista, sempre alicerçado ao trabalho dentro e fora de campo, não só de jogadores mas também de treinadores, staff e direção, ou se calhar, nem é preciso ir tão longe ao estar a criar algo novo, podemos aproveitar projectos feitos no passado, termos ido ao mundial 2007 não foi obra e graça do Espírito Santo. Se cada um fizer o melhor possível na sua função , e trabalharmos todos por uma causa comum e maior que nós próprios, o rugby em Portugal só pode melhorar e, consequentemente, tudo à sua volta ganhará com isso. O talento não falta, mesmo!

Sabemos que para além de jogador também tens experiência como treinador. Em que achas que essa vertente ajudou o teu jogo e a tua maneira de ver o desporto em si? Mini: Como jogadores, queremos jogar em todos os treinos, ou pelo menos fazer algo o mais próximo do jogo possível, e queremos estar em campo durante os 80 minutos em todos os encontros. Eu pelo menos quero! (risos). Mas nem sempre é possível, e o facto de ser treinador ajuda-me a perceber algumas decisões difíceis que um treinador tem de tomar, tanto durante os jogos como durante os treinos. Outra das grandes mais valias é a forma como olho para cada exercício. Em vez de me limitar a participar e a fazer número, tento sempre "afastar-me" do exercício, pensar qual o seu objectivo, e de que forma se relaciona com o jogo. Assim, para além de tornar o exercício em questão mais motivador, ao mesmo tempo aproveito mais e melhor e acredito mesmo que isso faz de mim um melhor jogador.

Picture4.png A jogar pelo ASD Gran Sasso Rugby (Itália)

Alguma dica para os nossos treinadores dos escalões jovens que estão a começar a dar os primeiros passos a dar treinos? R: Talvez as três características mais importantes na minha opinião serão a paciência (e muita!!), a curiosidade, e a criatividade! O Rugby não nasce com muitos dos miúdos, como nasce o futebol, e é preciso perder tempo com os exercícios básicos de passe, manipulação de bola e placagem. A curiosidade é importante para querermos sempre, como treinadores, ver ideias novas, e aliá-las à criatividade para adaptar essas mesmas ideias à nossa realidade. Sabendo sempre que treinos mais divertidos irão cativar mais gente!

Picture5.png Como treinador das camadas mais jovens

Entrevista feita por Chico (Francisco) Marrana - ex-atleta CDUP

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